Como um doente que volta ao médico para pedir ajuda depois de ter parado a medicação antes do tempo e a recaída ter batido forte, a meio da tarde falei a custo à Cláudia:
- Vamos dar uma volta?
- Agora? Assim? Ainda nem são horas...
- Anda lá!
- E onde vamos?
- Agarra o casaco e anda lá...
E fomos. Na mota agarrou-se a mim com uma força que era óbvio nada ter a ver com a segurança, com uma certeza de quem tinha voltado a encontrar o que queria... Do nosso trabalho à praia, eram uns vinte minutos, chegados, parei a mota e tirámos os capacetes, enquanto o Sol de Inverno avisava já que desapareceria em breve...
- Ah, praia, boa ideia...
As palavras tinham-me desaparecido outra vez. Lembrei-me do nosso pôr de sol, Andreia, numa outra praia também deserta, do prazer de nadar contigo, das brincadeiras debaixo de água, de te sentir salgada e fresca nos meus braços, do teu riso de cabelos molhados e de uma felicidade que ali, naquele mar só nosso, parecia ter existido sempre e...
- Está um bocado frio!
A Cláudia encostou-se a mim, levando-te para longe. Deixei-a estar por um nada e logo lhe fugi, em direcção à areia...
- A areia vai estar húmida, vamos molhar os pés...Eu sem palavras, ela, como sempre, com demais. Na areia já, o sol a tocar a água:
- Foi uma boa ideia. O pôr de sol está lindo, frio mas lindo...E beijei-a, ao menos assim não precisava de dizer nada. Respondeu-me a este primeiro beijo sem álcool, puxando-me contra si... Senti-lhe as mãos frias e veio-me a vontade que da outra vez não existira. Com o meu peso, forcei-lhe a queda na areia:
-Estás doido? Vamos ficar todos molhados...
E por fim, curou-se-me a mudez, primeiro sinal que a medicação já começava a funcionar:
- Desta vez fazemos como eu gosto Cláudia... E hoje gosto assim!

- Vamos dar uma volta?
- Agora? Assim? Ainda nem são horas...
- Anda lá!
- E onde vamos?
- Agarra o casaco e anda lá...
E fomos. Na mota agarrou-se a mim com uma força que era óbvio nada ter a ver com a segurança, com uma certeza de quem tinha voltado a encontrar o que queria... Do nosso trabalho à praia, eram uns vinte minutos, chegados, parei a mota e tirámos os capacetes, enquanto o Sol de Inverno avisava já que desapareceria em breve...
- Ah, praia, boa ideia...
As palavras tinham-me desaparecido outra vez. Lembrei-me do nosso pôr de sol, Andreia, numa outra praia também deserta, do prazer de nadar contigo, das brincadeiras debaixo de água, de te sentir salgada e fresca nos meus braços, do teu riso de cabelos molhados e de uma felicidade que ali, naquele mar só nosso, parecia ter existido sempre e...
- Está um bocado frio!
A Cláudia encostou-se a mim, levando-te para longe. Deixei-a estar por um nada e logo lhe fugi, em direcção à areia...
- A areia vai estar húmida, vamos molhar os pés...Eu sem palavras, ela, como sempre, com demais. Na areia já, o sol a tocar a água:
- Foi uma boa ideia. O pôr de sol está lindo, frio mas lindo...E beijei-a, ao menos assim não precisava de dizer nada. Respondeu-me a este primeiro beijo sem álcool, puxando-me contra si... Senti-lhe as mãos frias e veio-me a vontade que da outra vez não existira. Com o meu peso, forcei-lhe a queda na areia:
-Estás doido? Vamos ficar todos molhados...
E por fim, curou-se-me a mudez, primeiro sinal que a medicação já começava a funcionar:
- Desta vez fazemos como eu gosto Cláudia... E hoje gosto assim!
