Acordei com a certeza de onde encontrar o medicamento perfeito para iniciar o tratamento receitado pelos vizinhos de cima. E assim, depois de ter evitado durante uns poucos meses os avanços da Cláudia, hoje quando cheguei ao trabalho vi-me a convidá-la para jantar. Nem esboçou um arriscado "Tens a certeza?", quanto muito alongou-se por um breve instante com uma hesitação de surpresa, seguido de um conclusivo "Claro!", acompanhado por um daqueles sorrisos, entre o irónico e o satisfeito, de quem finalmente ganhou...
Fomos jantar fora da cidade, ao restaurante italiano onde te levei, Andreia, naquele primeiro encontro nosso, por maximizar as hipóteses de não sermos vistos pelos nossos amigos... Ela foi sorrindo a noite toda, contou-me histórias daqui e dali, falou-me de sonhos, procurou envolver-me na conversa, fazer-me rir, e eu fui fazendo o meu papel de gigolô não pago. Sorrindo de volta, dizendo que sim, mostrando o entusiasmo que devia quando devia, e tentado afastar, sem grande sucesso, todas as lembranças boas da vez que ali tinha estado contigo.
Acabei por procurar a casa de banho para descansar. Atirei água para a cara, esfreguei os olhos e esforcei-me para reconhecer-me no espelho. Expliquei ao que me olhava do outro lado que estava tudo bem, para não hesitar, para ir em frente, que precisava da cura, e que não havia nada de mal em procurá-la assim.
Voltei à sala, mais vinho, resto de refeição, sobremesa, café, caminho até casa mantendo o papel, e um esperado "Queres entrar para um copo?"
Beijei-a assim que chegámos à sala. Entorpecido pelo vinho do jantar, desejei que a química fizesse o seu trabalho em modo quase automático e resisti somente à procura do quarto. Ficámos pelo seu tapete, deixei que me guiasse, e depois de um "Eu prefiro assim...", venceu. E eu fiquei ali, a olhar para o tecto...
espetacular
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